A preparação corporal dos ministros de dança... Assunto que não se esgota!

A preparação é uma parte muito importante para qualquer serviço ministerial. Em se tratando dos serviços que tem o corpo como ferramenta para sua atuação de forma mais direta, é fundamental que haja um cuidado especifico com tal ferramenta no que tange a capacitação deste. O discurso de que para o Senhor tudo vale, tem conduzido muitas pessoas a se aventurarem pelo caminho da dança nas igrejas sem o devido preparo. Contudo, já há histórico de pessoas com lesões permanentes, devido não só a falta de preparo do corpo, como a ousadia em executar movimentos demasiadamente difíceis aprendidos a partir da observação de vídeos na internet e DVDs.
Não basta assistir a um vídeo e copiar um movimento, esse é um ponto importante. Embora esse material (áudio visual) seja uma ferramenta hoje inegavelmente viável, entretanto, não pode ser entendida com única. Para o preparo do corpo é necessário a prática de alguma atividade física afim com a dança que se pretende executar. Independente da idade, não importa se a pessoa é jovem ou não, criança ou adulto, o fato de ser uma pessoa jovem e saudável não a isenta da necessidade de preparo. Os riscos de se machucar dançando são reais, seja num período de louvor ou não. Mesmo porque, muitos grupos chegam a ministrar por mais de 30min sem interrupção (sem o devido aquecimento do corpo) como um todo, que vai além do momento de oração em que se busca a sintonia com o Espírito Santo e com o momento do culto (o contexto).
Há várias atividades para se alcançar bom êxito como dançarino/ministro. Além das práticas de dança como ballet clássico, jazz, dança moderna e contemporânea, street dance, hip hop, entre outras, há modalidades como Pilates ou Feldenkrais, que fornecem elementos adequados para uma boa consciência corporal também para dançar. Entretanto, as práticas de dança proporcionam suporte técnico direcionado e arcabouço de movimento que auxiliam no processo criativo coreográfico.
“É necessário esclarecer que não ha escolas tradicionais ou regulamentadas de dança para evangélicos ou cristãos (especificas), embora se encontre escolas que, visando o publico evangélico, venham adotando nomes utilizados no universo gospel em suas aulas de dança como atrativo”. Porém, as aulas ministradas são tão somente iguais às que levam o nome “secular”, ministradas às vezes pelo mesmo professor. Muitos grupos procuram aula de dança de adoração, gospel ou profética para praticar, e não encontram. Fato que não é surpreendente, pois tais termos foram criados no meio cristão evangélico como identificação para a dança que é ministrada nos cultos, porém não existe uma normatização desses termos, eles não são reconhecidos como pertencentes a um estilo ou técnica, senão pelo meio cristão evangélico, embora muitos crentes acreditem que sim. Esses termos acabaram se tornando clichês identitarios para nomear a dança “espontânea” que muitos grupos escolhem fazer em suas igrejas.
No Hall das técnicas de dança (jazz, ballet clássico, dança moderna, street dance, sapateado, dança espanhola entre outras) não há nada que aproxime ou represente os termos gospel, profético e espontâneo, e muito embora alguns grupos se aventurem a proclamar a técnica “clássica” como sua representante, ela como qualquer outra técnica de dança não tem em si pecado ou pureza quando se pensa na técnica e nos movimentos básicos que a compõe. O ballet só por ser “clássico”, não carrega em seu arcabouço histórico ou de movimento, elementos que reflitam santidade ou pecaminosidade. É importante salientar que técnica nenhuma de dança transforma um momento de liturgia ou de louvor mais ou menos “Santo”, nem mesmo os termos criados e utilizados no meio evangélico para classificar sua dança, o fazem. Tal santidade deverá ser atestada na “vida” daqueles que dançam, no dia a dia, nos afazeres comuns da vida assim como para qualquer cristão, em qualquer atividade, comendo, trabalhando, no tempo em lazer, vivendo!
Os atributos de santidade assim como os atributos técnicos, precisam fazer parte da vida de um ministro/dançarino. Tal busca é individual, requer desejo e disposição, além da identificação das fontes de cada atributo. Se espirituais ou prático/técnicos. Ao fazer essa busca com clareza dos seus norteadores, tal ministro saberá cada dia mais o nível de respeito e compromisso necessários para atuar ministerialmente em qualquer área a que se sinta chamado, a fim de estar mais atento ao que é apropriado para um momento de culto quando for construir suas coreografias, tendo optado pela dança. Portanto, ao dançar com coreografias ou de forma mais livre no momento do louvor, o comprometimento aparecerá e poderá ser nomeado pelas pessoas que o vêem de formas variadas e até podem aparecer qualidades e características, como unção, santidade, e outros atributos positivos. Contudo, o dançarino/ministro não deve se iludir quanto à leitura ou entendimento das pessoas sobre a sua santidade de forma literal, ou seja, esta (santidade, ou unção) estampada em cada gesto dançado, porque ambos são atributos subjetivos, e quando se trata da relação com o outro, não temos controle quanto ao que o outro vê ou deixa de ver. Tais atributos devem ser nosso objeto de busca pessoal porque cada um prestara conta de si diante de Deus. Entretanto, o olhar das pessoas poderá ser atraído pelos atributos diretos ou objetivos em primeira mão (composição do figurino - cor, modelo, tecido, sincronismo, limpeza de movimentos, segurança apresentada, musicalidade, enfim, toda a performance apresentada individualmente ou em grupo), e todo esse recheio de recursos, técnicos e práticos, aliados a sensibilidade que o próprio momento do culto proporciona, conduzir as pessoas num segundo momento, a maior intimidade e aprofundamento da relação com Deus. E isso não tira de forma alguma o caráter especial da participação da dança no culto ou festividade congregacional. Portanto, se esta ou aquela pessoa, for conduzida “pelo” Espírito Santo de Deus a um momento de fruição, de gratidão, de enlevo espiritual a partir do que a contemplação de uma dança nesse contexto lhe proporcionou; gloria a Deus! Porém, os caminhos da subjetividade ninguém pode prever ou definir. A performance de qualquer artista num culto não pode também ser tomada como a responsável ou promotora das experiências espirituais que as pessoas terão, ela pode ser sim, parte do todo que envolve um culto e como parte disso, participar responsavelmente se preparando bem para estar ali contribuindo naquele contexto. Importante reforçar, que a performance artística nesse contexto não deve ser entendida como algo negativo ou sem espiritualidade, tudo vai depender de quem é o Performer, que tipo de vida tem, que relação com Deus vive, que nível de comprometimento com o seu chamado tal pessoa estabelece e com que disposição se coloca em tal situação, embora isso não seja visto pelas pessoas, Deus a quem em primeiro lugar se dirige a dança, tudo vê.
Que desdobramentos acontecerão apos a experiência vivida por cada pessoa ao contemplar um dança, ao assistir uma peça teatral, ao ouvir uma música ou recitação de um poema, ou contemplar uma pintura em um momento de culto, festividade congregacional ou em um teatro, são caminhos que nem mesmo quem viveu a experiência pode prever. O viver a experiência é no instante, o pensar sobre ela, leva tempo! _ Entretanto, a sensibilidade ativada nas pessoas em tal momento ou contexto, servirá de estimulo ou ponte para olhar o mundo e as pessoas de outra forma, e mesmo a relação com Deus, poderá acontecer de forma diferente, talvez até mais intensa, potencializada pela abertura ao universo sensível. E esse é o ambiente em que atua a dança e arte; o imaginário, o lugar da criação, da diversidade, de aproximar e distanciar, do gesto e da postura, da linguagem silenciosa ou cheia de ruídos, com linhas bem definidas ou sinuosidades infinitas!
Para navegar nesse oceano (pra dizer pouco), é preciso: ser intenso e livre, ter coragem, ousadia, desejo de compartilhar, de estabelecer trocas e de se relacionar, de buscar inspiração na vida, nos pequenos e grandes feitos, nas ações sublimes do cotidiano, ou nas grandes emoções que vivemos em algum momento da vida. Para navegar nesse oceano, é preciso verdade e honestidade, consigo e com o corpo que se tem, com o outro com quem esse corpo se relaciona. É preciso não apenas saber um número qualquer de passos decorados, feitos por um corpo sem preparo. Para navegar nesse oceano, talvez um bom começo seja se perguntar: “quem eu sou em cristo?”. _ A resposta a essa pergunta, falará muito dos percursos que cada um se dispõe a percorrer, em que oceanos pretendem navegar e com que disposição, ou seja, que preço se dispõe a pagar para ter um corpo pronto pra servir a Deus com danças em qualquer tempo e lugar!

Por Vitoria Meireles
victoriaregina@hotmail.com

Comentários

  1. a dança para adorar o senhor para mim e um tezouro do Pai para mim e um don em que faz parte do meu chamado ainda nao danço mas quando eu dançar quero que o senhor mim veja como viu davi mirian etc penso que quem tem o dom para dança tem que fazer mesmo a diferença no campo espiritual e claro que o senhor nos abençoe

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  2. Olá, sou Professora de Dança e pesquisadora no campo da "Dança Cristã", e compartilho dessa mesma visão acerca das experiências vividas durante a dança, tanto para o artista adorador/ministrante quanto para o espectador/ ministrado, e tb acredito que Deus opera nas subjetividades individualmente, com cada pessoa a seu tempo e de forma única e particular. Parabéns pelo texto.

    Helena Medeiros, Brasília DF

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